Demisexualidade & Low Profile


Também sou Demiromantica

Não sei se o fato do café não ter batido ainda, ou , ser apenas sono pois a sinusite me castigou noite passada, mas não ando raciocinando direito para escrever isso. Mas calma, vou me abastecer com mais café e pegar no tranco. Mas admito uma coisa e me sinto aliviada com isso: sou relapsa a respeito de rede social, de verdade, ando ficando tão pouco tempo nelas que esqueço de interagir. Estou mentalmente selecionando sobre o que irei falar primeiro, acredito que o assunto menos complexo: Ser Low Profile.- Sempre me rotularam como " misteriosa" na minha vida intima, pelo simples fato de que mal falo e exponho sobre a minha vida pessoal. Mas em dado momento da minha vida, acabei por ceder afim de agradar e me encaixar em algo. Isso aliás, aumentou muito por conta das redes sociais, então eu compartilhava coisas pessoais mas não chegava a ser coisas tão intimas. Geralmente eram sobre eventos da minha vida, isso era como eu tentava  me encaixar e/ou ser mais aberta diante do mundo.

Mas ao perceber que isso não funciona, eu oscilei muito entre ter ou não uma rede social, quando tive um Stalker isso piorou ainda mais. As pessoas rotularam minha introversão e o fato de eu ser seletiva, como defeito e como vivemos em um mundo mais extrovertido e numa cultura que impõe que ter vários "amigos" é sinônimo de sucesso, que quem não tem é um assassino psicopata, ser introvertida nesse mundo repleto de gente que vende a cura e métodos até para ir ao banheiro, com teorias tiradas da loucura de alguém e onde muita gente literalmente compra tal ideia, buscar encaixe no fim das contas se tornou uma autodefesa.

Não sou uma Ermitona que não gosta de ver gente, eu apenas não sou de ficar compartilhando tudo que faço. É estranho como hábitos pequenos, aqueles que de tão intrínsecos a gente nem percebe que tem, que são os mais prejudiciais e os mais difíceis de se desfazer. Até um ano e pouco atrás, eu tinha um Instagram onde eu colocava coisas da minha vida, escrevia sobre experiencias do presente e do passado com fotos, acreditava que estava indo bem agindo assim, mas adivinhem? Finalmente aceitei que para euzinha aqui, isso não funciona! Eu não fazia o que eu mais gosto de fazer: escrever.- tão pouco dedicava tempo livre para fotografar. A época onde eu mais estive infeliz e desgostosa em rede social, era quando eu estava mais popular por conta da minha aparência  e eu tinha uma conta movimentada, foi onde eu percebi que selfies minhas com textos de uma linha recebia mais likes e interação, do que um pensamento seguido de uma foto autoral. Eu naquele momento comecei a repensar sobre o que eu estava fazendo ali.

Vi que o que eu gostava de fazer de fato, não fazia e tão pouco quando o fazia, pensava muito no que iria falar, pois não queria ferir o sentimento de ninguém, tão pouco desagradar. Viver pisando em ovos sobre meu ciclo de convívio real e virtual, estava me descaracterizando e foi ali, lá em meados de 2016 que comecei a rever sobre meus vínculos, mas apenas em 2019 que comecei aos poucos me desvincular daquilo tudo, porquê? Eu acreditava que as pessoas ali buscavam mudança e evolução, percebi que por mais que elas tenham vingado em muitos aspectos da vida, a essência estava ali, estagnada. Percebi que eu vivia com gente que vivia de aparência e eu estagnei, pura e simplesmente por elas criticarem meus avanços e  dizer que ser eu mesma era errado.


Tudo isso sobre ser low profile? Não, tudo isso por se anular para caber em lugares que não acolhem e nem respeitam a individualidade alheia. E sobre ser Demissexual? Ahhh, o bagulho é mais complexo e se ainda estiver afim de ler, vá devagar.

Na escola eu era sempre lida como lésbica, por não ser tão empolgada em ficar flertando como minhas amigas, fora a minha baixa autoestima. Eu  acreditava que tinha algo de errado comigo, por eu só me apaixonar pelos meus amigos e não me sentir atraída fisicamente por garotos aleatórios. Mas só em 2009 pude mudar a minha perspectiva sobre isso, eu estava desenvolvendo um flerte com um paquera, ele era muito bonito mas eu não consegui transar com ele, pura e simplesmente por não sentir tesão por ele. Conversávamos, íamos aos mesmos lugares, mas nunca conseguimos aprofundar mais o vinculo, por ele ser bem superficial para falar a verdade. Acreditei a primeiro momento que era por conta de traumas que sofri, mas numa autoanalise bem minuciosa, percebi que não. Pois por um outro amigo, este sim, com vinculo mais aprofundado eu sentia uma enorme atração física e sexual. Mas apenas em 2020 lendo um texto sobre o tema, pude compreender aos 33 anos de idade que eu era uma mulher hétero e demissexual, mas ainda por mais que eu compreendesse o assunto, eu não compreendia como esse meu aspecto funcionava e só um ano depois, por causa de um meme, pude finalmente esclarecer minha sexualidade.

O meme era o seguinte: Era um cara sensualizando para a câmera com a seguinte legenda " Qual a cor do lençol?"- eu não notei a cor do lençol, mas notei um detalhe bem pequeno no antebraço do cara e confesso que até hoje não lembro as fuças do cara do meme xD. Se um cara está flertando comigo, se não é algo totalmente exagerado, eu não percebo MESMO. Só retribuo porque o interesse é reciproco e isso é meio raro de acontecer, posso achar uma pessoa bonita e depois esquecer dela, literalmente. Se eu correspondo o flerte é que a química é bem braba ou em outra hipótese, o cara me lembra alguma pessoa do meu passado na qual eu me apaixonei. Se não, o cara é tipo pombo pra mim.


Perdi as contas de quantas vezes alguém me elogiou e disse estar interessado, e eu só agradeci como se este tivesse me dado um copo d´água ou o troco do pão.  Até mesmo quando eu estou interessada eu gosto de conviver bastante com a pessoa, por o pau na mesa nunca vai funcionar pra mim! Escrever sobre isso não é mais  constrangedor hoje em dia, é apenas a minha sexualidade e tudo bem. Uma coisa pra mim não tem nada a ver com a outra, pessoas que não estão nesse  espectro também não transam com quem não  sentem desejo, mas para elas é mais fácil ter um sexo casual do que para pessoas como eu. 

Isso não quer dizer que eu não tenho amores platônicos, não, mas que isso não acontece com tanta frequência como com a maioria das pessoas. Quem tem tal facilidade irá atrair só gente tóxica e um demissexual não? Mito, pois eu vivi muitos vínculos e relações tóxicas, muitas mesmo! Isso  já abrange outras áreas da vivência do individuo e as pessoas tem que compreender que nem tudo é sobre sexo. É tremenda ignorância das pessoas de forma geral ( até dentro do meio LGBTQIA+), associar orientação sexual e sexualidade com sexo, um cara hétero por exemplo, pode sentir prazer recebendo sexo anal da parceira, isso não o torna enrustido. Um homem gay pode ser assexual e por ai vai. É só ter um pouco de discernimento e menos preguiça para pesquisar e compreender, se quando a internet era mato encontrei textos de especialistas sobre isso, imagine hoje onde tal assunto não é tabu. Se eduque com conteúdo de gente especializada, não de coachs e seus derivados que acreditam que sabem falar sobre tais assuntos sérios. Precisamos sim, falar sobre esse tipo de assunto (entre outros), sem colocar as pessoas em categorias, sem pender para um só lado. 

Tal qual como abuso e violência não acomete apenas um gênero, uma etnia e faixa etária, a orientação sexual e a sexualidade de um individuo, não  tem ligação de como  busca satisfação sexual, essas duas coisas são distintas. É algo complexo até para eu mesma compreender a minha própria sexualidade e eu aceitei que estou apaixonada e que isso não implica no tesão,  eu me sinto atraída por essa pessoa e ao invés de ficar tentando esmiuçar isso, eu apenas estou sentindo  e deixando o sentimento fluir. Para quem é introvertido e demissexual,  não encare esse meu relato como parâmetro de comparação, afinal, fazer comparações é algo danoso, afinal de contas escrevo sobre as minhas vivências. Mas compreenda que não há nada de errado com sua forma de ser, se eu tivesse tido tal compreensão na minha adolescência e no começo da vida adulta, eu teria vivenciado minhas experiencias de forma mais leve e livre. Há muita coisa que estou aprendendo recentemente, principalmente que voltei a terapia com uma profissional que me acolhe e entende as minhas demandas, pois ela é especializada em tratar pessoas como eu.

Então é isso, espero que tenham gostado!

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