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| Também sou Demiromantica |
Não sei se o fato do café não ter batido ainda, ou , ser apenas sono pois a sinusite me castigou noite passada, mas não ando raciocinando direito para escrever isso. Mas calma, vou me abastecer com mais café e pegar no tranco. Mas admito uma coisa e me sinto aliviada com isso: sou relapsa a respeito de rede social, de verdade, ando ficando tão pouco tempo nelas que esqueço de interagir. Estou mentalmente selecionando sobre o que irei falar primeiro, acredito que o assunto menos complexo: Ser Low Profile.- Sempre me rotularam como " misteriosa" na minha vida intima, pelo simples fato de que mal falo e exponho sobre a minha vida pessoal. Mas em dado momento da minha vida, acabei por ceder afim de agradar e me encaixar em algo. Isso aliás, aumentou muito por conta das redes sociais, então eu compartilhava coisas pessoais mas não chegava a ser coisas tão intimas. Geralmente eram sobre eventos da minha vida, isso era como eu tentava me encaixar e/ou ser mais aberta diante do mundo.
Mas ao perceber que isso não funciona, eu oscilei muito entre ter ou não uma rede social, quando tive um Stalker isso piorou ainda mais. As pessoas rotularam minha introversão e o fato de eu ser seletiva, como defeito e como vivemos em um mundo mais extrovertido e numa cultura que impõe que ter vários "amigos" é sinônimo de sucesso, que quem não tem é um assassino psicopata, ser introvertida nesse mundo repleto de gente que vende a cura e métodos até para ir ao banheiro, com teorias tiradas da loucura de alguém e onde muita gente literalmente compra tal ideia, buscar encaixe no fim das contas se tornou uma autodefesa.
Tudo isso sobre ser low profile? Não, tudo isso por se anular para caber em lugares que não acolhem e nem respeitam a individualidade alheia. E sobre ser Demissexual? Ahhh, o bagulho é mais complexo e se ainda estiver afim de ler, vá devagar.
Na escola eu era sempre lida como lésbica, por não ser tão empolgada em ficar flertando como minhas amigas, fora a minha baixa autoestima. Eu acreditava que tinha algo de errado comigo, por eu só me apaixonar pelos meus amigos e não me sentir atraída fisicamente por garotos aleatórios. Mas só em 2009 pude mudar a minha perspectiva sobre isso, eu estava desenvolvendo um flerte com um paquera, ele era muito bonito mas eu não consegui transar com ele, pura e simplesmente por não sentir tesão por ele. Conversávamos, íamos aos mesmos lugares, mas nunca conseguimos aprofundar mais o vinculo, por ele ser bem superficial para falar a verdade. Acreditei a primeiro momento que era por conta de traumas que sofri, mas numa autoanalise bem minuciosa, percebi que não. Pois por um outro amigo, este sim, com vinculo mais aprofundado eu sentia uma enorme atração física e sexual. Mas apenas em 2020 lendo um texto sobre o tema, pude compreender aos 33 anos de idade que eu era uma mulher hétero e demissexual, mas ainda por mais que eu compreendesse o assunto, eu não compreendia como esse meu aspecto funcionava e só um ano depois, por causa de um meme, pude finalmente esclarecer minha sexualidade.
O meme era o seguinte: Era um cara sensualizando para a câmera com a seguinte legenda " Qual a cor do lençol?"- eu não notei a cor do lençol, mas notei um detalhe bem pequeno no antebraço do cara e confesso que até hoje não lembro as fuças do cara do meme xD. Se um cara está flertando comigo, se não é algo totalmente exagerado, eu não percebo MESMO. Só retribuo porque o interesse é reciproco e isso é meio raro de acontecer, posso achar uma pessoa bonita e depois esquecer dela, literalmente. Se eu correspondo o flerte é que a química é bem braba ou em outra hipótese, o cara me lembra alguma pessoa do meu passado na qual eu me apaixonei. Se não, o cara é tipo pombo pra mim.
Perdi as contas de quantas vezes alguém me elogiou e disse estar interessado, e eu só agradeci como se este tivesse me dado um copo d´água ou o troco do pão. Até mesmo quando eu estou interessada eu gosto de conviver bastante com a pessoa, por o pau na mesa nunca vai funcionar pra mim! Escrever sobre isso não é mais constrangedor hoje em dia, é apenas a minha sexualidade e tudo bem. Uma coisa pra mim não tem nada a ver com a outra, pessoas que não estão nesse espectro também não transam com quem não sentem desejo, mas para elas é mais fácil ter um sexo casual do que para pessoas como eu.
Tal qual como abuso e violência não acomete apenas um gênero, uma etnia e faixa etária, a orientação sexual e a sexualidade de um individuo, não tem ligação de como busca satisfação sexual, essas duas coisas são distintas. É algo complexo até para eu mesma compreender a minha própria sexualidade e eu aceitei que estou apaixonada e que isso não implica no tesão, eu me sinto atraída por essa pessoa e ao invés de ficar tentando esmiuçar isso, eu apenas estou sentindo e deixando o sentimento fluir. Para quem é introvertido e demissexual, não encare esse meu relato como parâmetro de comparação, afinal, fazer comparações é algo danoso, afinal de contas escrevo sobre as minhas vivências. Mas compreenda que não há nada de errado com sua forma de ser, se eu tivesse tido tal compreensão na minha adolescência e no começo da vida adulta, eu teria vivenciado minhas experiencias de forma mais leve e livre. Há muita coisa que estou aprendendo recentemente, principalmente que voltei a terapia com uma profissional que me acolhe e entende as minhas demandas, pois ela é especializada em tratar pessoas como eu.



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